sábado, 20 de maio de 2017

Pavãozinho do Pará


"[...]. Mas tornemos ao pavãozinho-do-Pará, para surpreende-lo agora no seu habitat natural, preferentemente sempre solitário, à beira de furos e igarapés sombrios, mas gostando também de apanhar o seu bocado de sol, como depõe o americano Rusby, na seguinte passagem:
"Achei muitas das aves desta região tão interessantes como as plantas. Uma das mais encantadoras era a chamada ave-sol (Eurypyga helias). Só pude vê-la uma vez, embora me dissessem que elas não eram raras. Tive uma excelente oportunidade para observar por algum tempo esta que se me deparou, aproximadamente do tamanho de um frango, com formas mais esguias e penas brilhantemente coloridas. Vive na mata fechada, mas procura as clareiras ensoalhadas, para realizar as suas danças acrobáticas. A que eu vi, estava numa aberta bem iluminada, com uns dez a doze pés de diâmetro, situada no meio do caminho. Corria rapidamente, fazendo círculos da direita para esquerda, com a asa direita bem levantada, evidentemente para que tivesse maior estabilidade, não só para rodar com mais rapidez e segurança, como também a fim de inverter o movimento. Então saltou no centro do terreno e aí se pôs aos pulinhos, para cima e para baixo, ora sobre os dois pés ora apenas sobre um. Levantava a cabeça tão alto  quanto possível, para, de repente, curvando o dorso, abaixá-la até o chão. Além desses movimentos regulares, entregava-se à mais extravagante série de saltos e cabriolas que imaginar se possa. Era claro que não havia a menor relação entre aqueles saracoteios e qualquer objetivo prático, como a procura de alimentos. Tratava-se, sem dúvida, de um simples folguedo em instante de alegria. Visivelmente, a ave sentia-se muito feliz e isto deu-me também vontade de participar do seu brinquedo". Gastão Cruls (1888-1959). Hiléia amazônica. 1955. p. 114-115.



Pavãozinho-do-Pará à esquerda.
Desenho de Ernst Lohse. Álbum de Aves Amazônicas 1900-1906.

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