quarta-feira, 7 de maio de 2014

Belém do Grão-Pará: Ver-o-Peso.


Hoje, como dantes, após se valerem das condições favoráveis dos ventos e da maré, as embarcações chegadas às docas do Ver-o-Peso, recolhidas as velas, logo se apresentam para o trabalho complementar da atracação na vazante.
Decorrida assim, tal fase, segue-se logo o primeiro contato da freguesia com os vendedores. "Uns têm barcos próprios, outros trabalham para terceiros. O desembarque das mercadorias de grande volume, os gritos de estivadores improvisados, as boas qualidades da farinha proclamadas pelo seu dono, assumem caráter  excepcional para quem, como nós - escreveu José Leal - observa pela, pela primeira vez o espetáculo".
O peixe, o feijão, as frutas, a farinha, as galinhas e as tartarugas, os cachos de bacaba e de açaí, os cupuaçus, os cestos de tangerinas, bem como os jacazinhos de abios e os de bacuris, as cordas de caranguejos, as pencas de bananas, as verduras de toda sorte, tudo isso é desembarcado e colocado no chão, ou espalhado por sobre mesas toscas para o feito de ser vendido ao povo. [...].
Artigos de armarinho, artigos de venda, "locais" para refeições, plantas medicinais, folhetos em prosa e verso, tudo isso pode ser visto no mercado interno do Ver-o-Peso. Fora, a variedade continua: paneiros de arroz em casca, farinha, abacate, abacaxi, plantas ornamentais, flores diversas.
Dobra-se a esquina do mercado, seguindo o cais, nos seus ziguezagues, e nem por isso deixa a feira de continuar animada e pitoresca como sempre. Aqui, melado e rapadura; ali potes de barro, jarros, "quartinhas" ou moringas; panelas, alguidares, cabungos ou urinóis; acolá, cuias de Santarém, fumo cheiroso e mortalhas para cigarro. Ao cabo da caminhada, uma só conclusão se pode tirar: de tudo se vende e de tudo se compra no fabuloso mercado do VER-O-PESO. [...]". José Veríssimo (1857-1916). IBGE. Tipos e aspectos do Brasil. 1966, p. 51-52.
 
 
 
 
Ver-o-Peso em Belém do Pará.
Ilustração e Percy Lau.
IBGE. Tipos e aspectos do Brasil. 1966.

 


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