Postagens

Os frutos da palmeira urucuri (Attalea excelsa)

Imagem
[...]. As terras mais secas eram às vezes extraordinariamente aformoseadas por moitas de palmeiras urucuri ( Attalea excelsa ), que crescem aos milhares sob às copas das gigantescas árvores da mata, hastes colunares e lisas são todas quase da mesma altura (quarenta ou cinquenta pés) e largas folhas finamente pinadas se cruzam no alto, formando arcadas e docéis de formas elegantes e variadas. O fruto desta palmeira amadurece no Alto Amazonas em abril, e durante nossa viagem vi imensas quantidades espalhadas pelo chão, nos lugares em que acampamos. É do tamanho e forma de uma tâmara, e sua polpa carnuda é de agradável sabor. Os índios não o comiam. Eu estava surpreso   com isto, pois eles devoravam sofregamente muitas outras qualidades de frutos de palmeiras, cuja polpa rançosa e fibrosa era muito menos gostosa. Vicente balançou a cabeça, quando me viu um dia comendo certa quantidade de frutos de urucuri. Não sei se não foram eles os causadores de uma grave indigestão que sofri duran...

Mata extraordinariamente variada

Imagem
                  [...]. A mata era extraordinariamente variada. A copa arredondada de algumas árvores gigantescas, pertencentes à ordem das leguminosas e das bombáceas, se elevava muito acima da altura média de muralha de verdura. A palmeira miriti, de folhas em leque, aparecia aqui e ali no meio das outras árvores, com um outro espécime sobressaindo acima do resto, ereto como uma coluna. A graciosa palmeira-açái formava pequenos grupos e compunha, com sua plumosa folhagem, um belo quadro que tinha por fundo a compacta massa de verdura. A ubuçu, de porte menor, mostrava apenas o seu folhudo e denso penacho, cujo tom de verde, claro e luminoso, contrastava com os matizes mais sombrios das folhagens ao redor. A ubuçu crescia ali em abundância; a palmeira-jupati ( Raphia taedigera ), igualmente notável, é, como a ubuçu, característica da região, mas eram poucas as que se viam ali, projetando suas longas folhas esfiapadas, de...

Por todos os lados surgem fustes de palmeiras

Imagem
     Como a manhã está muito clara, as massas de vegetação destacam-se em vários planos e há um quê de cenário teatral nesses amplos panos de verdura e bambolinas muito verdes recortadas sobre o azul do céu. Numa delas, pousa imóvel um maguari.         Por todos os lados, surgem fustes de palmeiras. São inajás portentosas, bosques de jauaris, esguias urucuris, marajás, tucumãs, patauás ... FONTE: CRULS, Gastão.  A Amazônia que eu vi : Óbidos-Tumucumaque. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938. p. 53. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Brasiliana. Série 5a., v. 113). Palmeira Jauari J. Barbosa Rodrigues. Sertum palmarum brasiliensium . 1903.

Jacitara, uma palmeira que se transforma

Imagem
          Um olhar na selva amazônica, sobretudo na da várzea, mais densa e escura que a da terra-firme, revela a ânsia dos dois reinos para os cimos, como se fugissem horrorizados da penumbra. Porque a floresta da pátria das aluviões é sem dúvida profundamente sombria, mal deixando passar no crivo da sua cabeleira verde um ou outro raio luminoso. A natureza então arma os seus representantes, vegetais e animais, de órgãos suplementares para a subida. E a caminhada rumo do alto no aperto silvestre de mil espécies arbóreas, traduz-se por uma luta formidável, de girafas botânicas, a espicharem o pescoço para cima. O açaí chumbo ( Euterpe catinga Wall.), por exemplo, que é o açaizeiro da terra-firme, e vive isolado na floresta, afina-se, adelgaça-se, estira-se, alcançando comprimentos imprevistos na fúria de subir ao lado dos príncipes dos bosques. Isto somente para que o seu espanador verde se agite ao vento das franças acariciadas pelo sol. E tanto se espich...

Exuberância de vegetação

Imagem
          A lembrança da proximidade do equador dá  a essa exuberância de vegetação mais outra significação: pareceu-nos reconhecer a medida de toda a força vegetativa criadora, de que é capaz o globo terrestre, nas gigantescas formas das árvores da mata virgem, a palmeira miriti ( Mauritia flexuosa , L.), a pacova sororoca ( Urania amazonica , M.), e nos formatos grotescos das aróideas e citamíneas, de luxuriante folhagem que não se contenta mais com o solo, e até reveste a superfície das águas, ora multiplicada nas delicadas folhazinhas das lentilhas d´água e das azolas, ora nas rosetas de folhas da mururé-pajé ( Pistia stratiotes ), estendendo um formoso tapete flutuante. FONTE:  SPIX, J. B. von; MARTIUS, C. F. von. Viagem pelo Brasil - 1817-1820 . Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1938. p. 70. Mururé-pajé ( Pistia stratiotes ) Jacquin, N. J. von. Selectarum stirpium Americanarum historia. t. 225, ed. 1780-1781. www.plantillustrations.org

Campos de canarana

Imagem
      [...]. A vegetação escassa dessas terras aguacentas tem um verde claro, lavado. São os dilatados campos de canarana e de muri, de onde se eleva isolada uma ou outra palmeira caraná ou jauari, em cujas ramas cantam nas manhãs alegres os sabiás do poeta; a fraca imbaúba de folhas grandes, recortadas e ásperas, a grossa e rude mongubeira em cujos galhos fabricam seus ninhos, compridos como abóbora, os japiins brancões; o taxi, cujas flores brancas, de que nesta época se cobre a sua copa simétrica, dão-lhe de longe o aspecto de um enorme ramalhete erguido no ar. Raramente, lá em ponto favorecido por não sei que circunstância de terreno, crescem juntas, qual ilha no meio deste mar de canarana, algumas árvores pecas, condenadas fatalmente a serem afogadas pela cheia. Nas beiras dos canais que comunicam os lagos entre si e em toda a extensão do comprido igarapé é onde se reúne alguma vegetação - uma vegetação fraca, sob a enganadora aparência do seu brilho - formando como ...

As aves e seus ninhos: Japus e Japiins

Imagem
               A maioria das aves constrói seus ninhos em locais relativamente escondidos, ou de difícil acesso, para evitar a predação dos ovos e filhotes. Os japiins e japus parecem fazer exatamente o contrário. As grandes colônias de ninhos em forma de saco dos japiins ou xexéus são sinais comuns nas árvores das matas inundadas amazônicas. Colônias de japiins com várias dúzias de ninhos geralmente são vistas dependuradas sobre a água na margem dos rios. Em alguns casos, quando o rio chega a alcançar entre 10 e 12 m acima do nível atingido na época de seca, os ninhos dos japiins são encontrados a apenas alguns metros acima da água. Os japus tendem a construir seus ninhos nas árvores mais altas, e as ilhas fluviais, onde as florestas altas ainda existem, são as preferidas para a construção dos ninhos. Em geral, os japus são avistados em grandes bandos atravessando o canal dos rios, nos movimentos diários de ir e vir das ilhas. Superficialmen...