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As marrecas e os navegantes na Amazônia

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          [...]. As marrequinhas ( Dendrocygna discolor ) também, debaixo das noites escuras e principalmente chuvosas, advertem o navegante, numa revoada coletiva, que elas deslizam na corrente sobre um tronco de pau. O grito da marreca pela proa do navio indica, pois, uma árvore flutuante. Isto determina o sustamento da marcha dos vapores na rede hidrográfica da bacia amazônica. FONTE: MORAIS, Raimundo. O homem do Pacoval . São Paulo: Companhia Melhoramentos, [193?]. p. 247.   Marrecas Álbum de Aves Amazônicas - 1900-1906 Ilustração de Ernst Lohse (1873-1930)

Samambaias

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         [...]. Entretanto, ia anoitecendo, e começou a cair uma chuvinha que se foi tornando cada vez mais forte e, de repente, a noite nos envolveu com o seu véu impenetrável. Fizemos pouso perto de um arroio, e, em poucos minutos, armamos um abrigo com ripas, cobrindo-o com folhas de palmeiras derrubadas, e preparamos os nossos leitos, amontoando camadas de samambaias.   FONTE: SPIX. J. B. von; MARTIUS, C. F. von. Viagem pelo Brasil : 1817-1820. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2017. v. 2, p. 253-254. (Edições do Senado Federal, v. 244-B). Samambaia. ( Adiantum sp.) Sir William Jackson Hooker. 1862. Desenho de Walter Fitch. www.biodiversitylibrary.org

Curica

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     Outro verde filho do vale amazônico, tendo a fronte, freio e sobrancelhas azuis e de igual cor, mas um tanto denegridas, as remiges. [...].           Além do nome já citado e sua variante curuca, é chamado aiuru-curuca, papagaio-do-mangue, papagaio-poaieiro, etc.         Os curicas gostam das matas que bordejam os rios e vão até os mangues, onde por vezes são encontrados seus ninhos.              Reúnem-se quase sempre em bandos enormes e formam na floresta verdadeiras algazarras. [...].    Habita a Amazônia, mas Natterer e o Príncipe de Wied dizem tê-lo visto no Estado do Rio. FONTE:  SANTOS, Eurico. Da ema ao beija-flor: vida e costumes das aves do Brasil. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1938. p. 219. Curica Descourtilz, J. T. Oiseaux brillans du Brésil , 1834. www.biodiversitylibrary.org

Os festões das Passifloráceas

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             [...] Chamou-nos a atenção o pitoresco e inusitado aspecto apresentado pelas margens do rio quando o sol despontou. O curso d´água, embora não passasse de mero afluente do Amazonas, era mais largo que o Tâmisa. As margens mostravam-se ininterruptamente revestidas de densa floresta. Os mangues apareciam com frequência, com suas raízes que desciam dos galhos buscando a água, de aspecto bastante curioso. Pudemos ver os frutos de algumas dessas árvores, dos quais saía um rebento que descia até a água, constituindo, uma raiz secundária da árvore-mãe. Atrás dessa vegetação de alagadiços, erguiam as grandes árvores da floresta, entremeadas de açaís, miritis, e outras palmeiras, enquanto que os festões das passifloráceas e convolvuláceas pendiam até à superfície da água.   FONTE: WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelos rios Amazonas e Negro . Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 1979. p. 38.; il. (Re...

Frutos do Marajó

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            Vencida a parte sudoeste da ilha, começam a surgir nos taludes ribeirinhos os taperebás ( Spondias lutea ), excepcionais como vinhos e sorvetes. Já nos Estreitos de Breves, na parte côncava dos barrancos, avulta a família numerosa dos ingás. Aqui o ingá-chichica ( Inga heterophylla Willd.), ali o ingá-cipó ( Inga edulis Mart.), acolá o Ingá-de-fogo ( Inga velutina Willd.). A eles se mistura, de longe em longe, visto não ser palmeira amante do sol, a bacaba ( Oenocarpus distichus , Mart.) nas suas variadas manifestações. Junto a ela, isolado sempre, distingue-se o jenipapo ( Genipa americana L.) [...]. FONTE: MORAIS , Raimundo. O homem do Pacoval . São Paulo: Companhia Melhoramentos de São Paulo, [1939]. p. 253-254. Taperebá ( Spondias lutea ). Kerner, J. S. Hortus sempervirens, v. 75, 1829. www.plantillustrations.org

As suntuosas Victorias régias

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            O lago enorme parecia ter segredos que procurava esconder aos olhos humanos. Uma grande moita de arbustos ocultava a entrada de um furo estreito a correr serpenteando entre galhos e cipós. Depois aparecia outro lago pequenino e sombreado, onde mal penetravam as réstias da luz, e onde havia um silêncio maior, mais amplo, mais profundo - um abafado silêncio de templo ao abandono.      As árvores marginais, elevadas e vetustas, estendiam densa penumbra, que dava à água represa um tom luzente e negro.        E sobre a água, na religiosa mudez do recanto, na tristeza dos ramos curvados, na misteriosa quietude da mata - flutuavam grandes folhas circulares, e surgiam, no esplendor e na doçura das pétalas brancas, suntuosas victorias régias. [...]. FONTE:    PINHEIRO, Aurélio.  À margem do Amazonas . São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937. p. 123-124. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Série 5a...

O açaí como planta medicinal

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                     [...]. A folha é o órgão vegetal mais utilizado no    preparo do produto medicinal, seguindo-se a raiz, a batata e o látex do caule. A aplicação dos produtos medicinais é principalmente interna (60%) contra 40% de uso externo. A interna é mais usada na forma de chás e sumos, enquanto a aplicação externa se dá como banhos, colocação do produto (sumo, folhas, etc. sobre o local afetado ou como inalação.              Algumas palmeiras, em escala menor, são também utilizadas na medicina caseira. O chá da raiz do açaí é considerado bom para reumatismo. As folhas jovens são usadas para cicatrização de ferimentos. Elas são batidas e espremidas dentro de um pedaço de pano, para extração do sumo, o qual é colocado diretamente sobre as feridas. O chá de pupunha ( Bactris gasipaes Kunth) é bom para dor de barriga. FONTE: LISBOA, Pedro L. B. Natureza, homem e manejo de...