sábado, 5 de maio de 2018

Os guarás com suas asas cor de fogo


"Nada mais luxuriante e majestosa do que a navegação selvagem que cerca Belém. Não somente a costa oceânica está margeada por uma faixa sempre verde de mangueiras, como esse cinturão verde alcança, também, o interior e se prolonga desde a foz do Amazonas e do rio Pará até a Vila  de Cametá no Tocantins e depois a oeste, até Gurupá, e, finalmente, em todas as ilhas baixas, que se poderiam denominar o arquipélago do Pará. No entanto, à medida que se afasta do Atlântico, as árvores comuns às regiões marítimas vão se tornando  cada vez mais raras, enquanto a vegetação que caracteriza a região do Amazonas vai dominando até reinar sozinha. A verdura uniforme e escura daquelas árvores mistura-se pouco a pouco, e cada lugar a uma verdura mais variada e menos carregada, alternada, ora por flores magníficas, ora pelos topes recurvados da palmeira jupati. Bandos inumeráveis de guarás ou maçaricos vermelhos se abrigam nos cimos dessas palmeiras e passeiam, aqui e ali, sobre esse fundo verde as suas asas-cor-de-fogo". Alcide D´Orbigny (1802-1857). Viagem pitoresca através do Brasil. 1976. p. 79.



Guará. (Eudocimus ruber)
 J. T. Descourtilz. Oiseaux brillans du Brésil, 1834.
 www.biodiversitylibrary.org

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