terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Estreito de Breves: um labirinto maravilhoso


"[...]. Ao dia seguinte, começamos a atravessar os estreitos de Breves.
São um labirinto maravilhoso.
Tinham-me feito uma observação que verifiquei: as gaivotas que nos acompanhavam, esteira afora, ficaram para trás. Nenhuma transpôs a entrada de Breves. Medrosas, voltaram em busca dos seus lugares prediletos. Por que esse fato? Sabe lá alguém o motivo de quantas idiossincrasias de certas aves?
A estrada que o navio corta tem a largura de poucos metros. Mais vasta aqui. Mais estreita lá adiante.
As canaranas e os mururés rolam na correnteza, como ilhas flutuantes. Paus decepados, galhos ainda verdes, pedaços de troncos são tangidos na onda, de bubuia...
Nas margens, a vegetação, numa exuberância pasmosa, varia, num crescendo espantoso, desde a aninga, um capim tenro, o buriti, a semelhar a carnaúba, até a samaumeira gigantesca e perfilada imponentemente, espiando as águas barrosas, que correm na ânsia de precipitar-se no Oceano". Raimundo de Menezes. Nas ribas do rio-mar. 1928, p. 175-176.
 
 
Sumaúma (Ceiba pentandra)
Louise von Panhuys. Watercolours of Surinam (1811-1824), t. L21 (1813)
www.plantillustrations.org



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