Literatura: O Pavãozinho-do-Pará e seu talismã
Não possui a suntuosidade do pavão, nem o aparato teatral dos argos, mas é mimoso e delicado, move-se em serpenteios e ondulações, lançando para frente, docemente, a cabeça.
Tem um jeito particular de caçar moscas e daí lhe vem o cognome de papa-moscas. Neste mister mostra-se insuperável. Quando a mosca se aproxima, fita-a de forma estranha, tomando a sua fisionomia, neste instante, o aspecto terrífico da de um ofídio, o que a cabeça achatada, ainda mais acentua.
Como a serpente parece lançar eflúvios hipnóticos, chispas de fogo, pelas suas pupilas incendidas, e de uma bocada, o que não falha, apanha o apetecido inseto.
Como é de índole pacífica, rápido se domestica, tornando-se uma ave, que além de lindo aspecto decorativo, se mostra utilíssima, não somente para caçar moscas, mas toda espécie de insetos. [...].
O pavãozinho goza alto prestígio entre a pajelança pois dele se consegue um talismã dos mais eficientes: o mocó. [...].
Para que serve o famoso talismã?
Para tudo. É só pedir, mas convém ser modesto, nada de abusos para não dar na vista.
FONTE:
SANTOS, Eurico. Da ema ao beija-flor. Belo Horizonte: Vila Rica, 1990. p. 175-176.; il. (Coleção Zoologia Brasileira, v. 4).

Pavãozinho-do-Pará
ELETRONORTE. Brasil 500 pássaros. 2000.
Ilustração de Antônio Martins
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