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A profusão de orquídeas e bromélias

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     A palmeira paxiúba (Iriathera exorrhiza) e algumas espécies de Cecropia (embaúba) exibem outra extravagância em suas raízes. Elas aparecem estar apoiadas em estacas, o verdadeiro tronco apenas começando a uns 2 ou 3 metros, acima do solo. Mas o que mais excita nossa admiração é a profusão de orquídeas e bromélias. Estas frondosas filhas dos trópicos envelopam om sua folhagem espessa, com folhas e flores do mais irregulares formatos, tanto os troncos de árvores já caídas quanto aquelas em que ainda há pleno vigor, formando jardins suspensos de surpreendente magnificência. Em todo lugar, nos galhos e no chão, e mesmo nas frestas  da rocha bruta, ramos delicados de um rico musgo afloram e vestem de um frescor verde os troncos já tombados. FONTE: KELLER-LËUZINGER, Franz. Os rios Amazonas e Madeira: esboços e relatos de um explorador. Belo Horizonte: Editora Dialética, 2021. p. 174. Orquídeas e bromélias br.pinterest.com        

Uma nova pesquisa começa: Plantas úteis na Amazônia

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     Começo uma nova etapa de pesquisa para uma futura publicação: Plantas úteis na Amazônia: conhecimentos, usos, histórias e lendas das principais espécies medicinais, aromáticas, alimentícias e madeireiras.    Será um trabalho de caráter histórico e bibliográfico , dedicado a algumas das principais plantas úteis da Amazônia, procurando reunir não apenas seus usos e conhecimentos tradicionais, mas também as histórias, curiosidades e lendas que fazem parte da relação entre povos e floresta.     A pesquisa percorrerá livros, relatos de viagens, obras de botânica e outras fontes bibliográficas, recuperando registros deixados por viajantes e naturalistas que percorreram a Amazônia , além de citações e estudos de antropólogos, folcloristas e outros estudiosos da região . Esses diferentes olhares ajudarão a mostrar como as plantas foram observadas, descritas, utilizadas e incorporadas à vida e a cultura amazônica ao longo do tempo.     As fontes ...

Uma floresta luxuosa

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J . Barbosa Rodrigues em Exploração e estudo do Valle do Amazonas : Rio Tapajoz. 1875. p. 78-79 comenta sobre a vegetação da floresta:      Como  que para compensar a mesquinhez e raridade de bonitas árvores no campo, a floresta apresenta-se luxuosa com seus imensos madeiros todos com mais ou menos emprego nas artes e ofícios.      O Oenocarpus distichis e a Maximiliana regia, aí não só abundam, como tomam um desenvolvimento extraordinário.     Em alguns lugares úmidos, cresce o Marajá (Bactris) que se estende por alguns espaços. Goza-se aí na floresta uma frescura agradável, enquanto que no campo, apesar de alguma viração o calor é insuportável. Aí anima a floresta um pequeno pássaro esverdeado do gênero Tanagra que com seu canto assoviado e repetido por centenares de companheiros, ocultos pelas folhas no alto das árvores, forma uma harmonia que dá vida ao sombrio lugar.   Tendo aí colhido algumas flores do Oenocarpus, passei o dia 8 de...

O Blog completa 13 anos!

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           O blog dedica-se, desde 2013, à divulgação de pesquisas sobre a fauna e a flora da Amazônia, reunindo descrições científicas acessíveis, curiosidades, lendas e relatos históricos de escritores,  viajantes e naturalistas que percorreram a região ao longo dos séculos.      É um espaço dedicado à divulgação da biodiversidade amazônica e à valorização das fontes históricas que documentaram a região ao longo do tempo.               Acompanhe, leia e partilhe essa história! Obrigada! Floresta tropical br.pinterest.com            

Literatura: O Pavãozinho-do-Pará e seu talismã

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     Não  possui a suntuosidade do pavão, nem o aparato teatral dos argos, mas é mimoso e delicado, move-se em serpenteios e ondulações, lançando para frente, docemente, a cabeça.                Tem um jeito particular de caçar moscas e daí lhe vem o cognome de papa-moscas. Neste mister mostra-se insuperável. Quando a mosca se aproxima, fita-a  de forma estranha, tomando a sua fisionomia, neste instante, o aspecto terrífico da de um ofídio, o que a cabeça achatada, ainda mais acentua.       Como a serpente parece lançar eflúvios hipnóticos, chispas de fogo, pelas suas pupilas incendidas, e de uma bocada, o que não falha, apanha o apetecido inseto.      Como é de índole pacífica, rápido se domestica, tornando-se  uma ave, que além de lindo aspecto decorativo, se mostra utilíssima, não somente para caçar moscas, mas toda espécie de insetos. [...].       O pavãozinho goza alto...

Viajantes: A utilidade das palmeiras na Amazônia

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    [...].  Estas palmeiras têm aplicações variadas para os misteres da vida: da casca do miritizeiro e do açaizeiro fazem-se tábuas para soalho de casas e pontes; dos pendões dessas palmeiras tiram-se talas para fabricação de cestos, gaiolas, esteiras, tipitis, etc.; com as folhas de ubuçuzeiros e do ubinzeiro cobrem-se as choupanas e até grandes casas; o âmago do pendão do jupatizeiro presta-se para fazerem paredes divisórias nas habitações. Grande parte dessas palmeiras são apreciadas na alimentação; o suco do açaí, tirado da película que cobre as sementes, e que é amolecido por meio de água tépida, transforma-se, depois de peneirado, em vinho de cor vermelho escuro de um sabor agradabilíssimo e muito apreciado pela quase totalidade dos habitantes; da bacaba e do patauá extrai-se também um vinho muito agradável de cor branca, ou avermelhada, os vinhos do carauá, do miriti, do tucumã e de algumas outras palmeiras também são muito apreciados, diferindo entre si pela cor ...

Literatura: A borboleta azul na selva amazônica

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     Nos varadouros e nas velhas estradas dos seringais da Amazônia - isto é, em plena selva equatorial - é frequente aparecer-nos, num voo irregular, surgindo não se sabe de onde, a Borboleta Azul, pertencente ao gênero Morpho , segundo Rodolpho von Ihering: "algumas são de cor azul intensa, com reflexo de seda e bordas pretas, outras são de um branco anilado, com pontos pretos sub marginados".      Com o seu voo incoerente e a sua beleza, a Borboleta Azul teria de incorporar-se à ação mítica de outros seres da selva amazônica.  FONTE: PEREIRA, M. Nunes. Moronguêtá : um decameron indígena. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. v. 2. p. 521). Ilustração de Edward Donovan (1768-1837)