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Literatura: Os jacamins-de-costas-verdes

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Helmut Sick (1910-1991), ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro  comenta sobre as aves que encontrou em viagem que fez ao Brasil Central, publicado em sua obra Tukani : entre os animais e índios do Brasil Central. 1997. p. 99:           Sem que os animais me notassem, prossegui meu caminho. Acima de mim, um beija-flor banhou-se na folhagem delicada e ainda cheia de gotas de um galho mais arriado. Um grito agudo, erguendo-se do mato, anunciou a presença, sobre um tronco caído, de uma ave de pernas altas e pescoço curvo: era um jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), em que eu estava interessado. Seguiu-se um espetáculo indescritível com a repentina entrada em cena de muitos outros jacamins que, piando e cacarejando, corriam para todos os lados e voavam pelas moitas e árvores. Só quando um galho estalou e quebrou sob meus pés, o bando, dando pela minha presença, fugiu dali. Jacamim-de-costas-verdes ELETRONORTE. Pássaros do Brasil. 2...

LITERATURA: Viagem pelos rios da Amazônia

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Narrativa do repórter Ernesto Vinhaes, durante sua viagem à Amazônia, publicada na obra Aventuras de um repórter na Amazônia . 2. ed. 1941. p. 87.     Quantas vezes inclinava-me perigosamente a canoa sob o impulso de minhas mãos sequiosas por alcançar um ou outro piquiá, de polpa amarela e gostosamente doce, apesar de bastante oleoso. Cancãs e cojubins negros batiam asas, então, perturbados no seu piar monótono pela minha indesejável aparição. Pelos pedaços rotos da galharia perpassavam as sombras de corocas e socós em voo; e tapurus, que não sei de onde, despencam sobre meus ombros, mordendo-lhes ferozmente, como só as formigas da Amazônia sabem morder. Cancã J. Th. Descourtilz. Oiseaux du Brésil. 1834. www.biodiversitylibrary.org

Literatura: O Galo-da-Serra

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Rodolpho von Ihering, em Dicionário dos animais do Brasil. 1968. p. 312, comenta sobre a dança dos galos-da-serra          São dançarinos, também, os galos-da-serra, e a eles tanto Humboldt como os irmãos Schomburgk dedicaram belas páginas em suas famosas narrativas de viagens.               Infelizmente não temos, ao que nos conste, outras    descrições de escritores nossos, que tenham relatado o        espetáculo, de acordo com observações próprias. Seria, no    entanto, tema dos mais dignos de ser desenvolvido pelos poetas verdadeiramente apaixonados pelos segredos das nossas florestas. Embrenhando-se pela mata cerrada, talvez junto a um córrego, encontrará o artista, na clareira, um pequeno tabuleiro de rocha, atapetado pelo musgo. Escondido em meio da folhagem, imitará os gritos quase miados do galo-da-rocha e terá logo a  resposta de várias dessas aves,  que assim se...

Literatura: Os papagaios

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      Eurico Santos (1883-1968) jornalista brasileiro,  em sua obra Da ema ao beija-flor.  2. ed. 1952. p. 207, comenta sobre o modo de vida dos papagaios:      Uma vez  terminada a incubação, reúnem-se as famílias em grandes bandos em procura das fruteiras silvestres. Quando descobrem uma roça de milho, então é um regabofe: abatem sobre ela muito caladinhos e só se ouve o "trac-trac" das mandíbulas.     À tarde após as excursões. volta o bando gárrulo ao pouso escolhido e, antes de se acomodarem, disputam os papagaios entre si os melhores sítios, surgindo altercações, roucas imprecações e beliscadas de arrancar penas.     Quando tudo já parece que serenou, rebenta nova discussão entre vizinhos mal acomodados e, de novo, o bando todo protesta contra o distúrbio e novamente o berreiro se alastra pela floresta.     Adensa-se o crepúsculo, as sombras da noite descem e então reina o silêncio no bivaque dos papagaios....

Almanaque de curiosidades amazônicas: O Tanguru-pará

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J osé Coutinho de Oliveira(1887-1965), folclorista, etnólogo e linguista da Amazônia,  em sua obra Imaginário amazônico. 2007. p. 138, relata essa curiosa  lenda sobre as aves rivais, o Japiim e o Tanguru-pará:               O japiim  tornara-se o horror da passarada.      O Tanguru-pará nunca se havia encontrado com o japiim. Vivia lá para a sua banda, cantando baixinho e ensaiando passos de dança clássica, para um dia apresentar-se a Tupã, na certeza de o agradar e ser contratado para a corte celeste.          Aconteceu, porém, que o Japiim, o avô dos japiins; pois a família aumentara muito na Terra, numa das suas viagens pela mata, ouviu aquele canto esquisito; foi-se aproximando, aproximando e deu com o tanguru a cantarolar e saltitar no galho de pau.          Daí a pouco estava a arremedar o inofensivo tanguru.     O tanguru era pacato, e por isso, qu...

Viajantes: As Embaúbas

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      Theodore Roosevelt (1858-1919), político, estadista e naturalista, em sua viagem à Amazônia, registrou em seu livro Nas selvas do Brasil . 2010. 1949. p. 149, o seguinte comentário:      Subimos  contra a rápida correnteza durante umas duas horas, a boa velocidade. As pás dos remos eram providas de ponta apropriada para evitar as barrancas do rio. A floresta tropical se apresentava compacta como uma parede; as árvores mais altas estavam entrelaçadas de cipós, e por entre os troncos se estendia uma vegetação rasteira e densa. Em muitos pontos somente se podia penetrar fazendo uso do facão. Com poucas exceções, as árvores eram, para mim, desconhecidas e seus nomes regionais em nada me esclareciam.        A maioria delas exibia uma folhagem espessa e entre as exceções a que me referi, achavam-se as embaúbas, que dão preferência  às terras de aluvião recente, despidas de outras árvores, e cujas folhas, segundo fui informado, ...

Literatura: O Urutau

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Eurico Santos em sua obra Da ema ao beija-flor . 1952. p. 233, comenta sobre a ave urutau considerada como um ente fantástico que amedronta a todos que a ouvem cantar:     Por mais que estejamos habituados aos misteriosos rumores da floresta, o grito do urutau perturba-nos a calma do sistema nervoso, fazendo-nos experimentar um sentimento indefinível, senão de medo, algo semelhante a ele. Parece que esse apelo lancinante, ao nosso sentir, transforma-se em doce harmonia aos ouvidos da companheira, que uiva outra tenebrosa resposta.     Para muitos essa ave não é considerada verdadeira e sim como um ente fantástico, inacessível às mãos e olhos humanos. Alguns a aceitam como ave mas de certa forma incomum, dotada de algumas qualidades que fogem às leis naturais, como a de preservar as moças das seduções, mantendo-as puras.     Segundo José Veríssimo a pele dessa ave que é chamada pelos naturais de Uirá-táu i : "pequeno pássaro fantasma" preserva às donzelas d...