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Literatura: Um interminável viveiro de plantas aquáticas.

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O romancista português José Maria Ferreira de Castro (1898-?), trabalhou em um seringal na Amazônia, e dessa árdua experiência, surgiu, muitos anos depois, o romance A Selva , editado em Portugal. Aqui, um trecho desse livro, registrado por Ferreira de Castro em uma segunda edição da obra publicada em 1937.     Ainda mais adornos povoavam a água preguiçosa na marcha, a água grossa e barrenta: o mururé, a aninga, o muri, as ilhas da canarana que se desprendera das margens - um interminável viveiro de plantas aquáticas e vagabundas, perante as quais são pobres e tristes todos os nenúfares do Oriente. esta levava as folhas coladas à água, formando ninho vede e macio; aquela, erguia as palmas para o céu deixando que a luz lhe traspassasse o recorte fantástico - e iam outras, ainda que vogavam ligados entre si, constituindo colônia e plinto errante de garças melancólicas. Plantas aquáticas na Amazônia - Pinterest-Brasil          

Viajantes: Uma linda Gustavia branca

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M argaret Mee (1909-1988) artista e botânica, em uma de suas viagens à Amazônia, registrou em seu livro Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010, seu encontro com uma Gustavia de flores brancas, a qual está ilustrada por ela, na mesma obra.    Uma enorme lua surgiu nesse paraíso de tranquilidade, silencioso, não fosse o coral de sapos e lamentos tristes das corujas e pássaros noturnos. Foi nesse local que ouvi pela primeira vez o mais incrível lamento de um pássaro noturno: o da saracura.      Iniciei o dia seguinte com uma bela coleção de plantas e sementes do Bombax munguba e seus grandes tubérculos roxos repletos de paina, onde se alojavam as sementes muito procuradas por papagaios.     Apesar de as águas terem permanecido turbulentas, consegui colher uma linda Gustavia branca com o miolo laranja. Tive muita dificuldade para pintar as flores tão delicadas, pois o barco balançava muito devido ao forte vento. Gustavia sp. Margaret Mee (1909-1988) ...

Viajantes: Os mais belos araçaris

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Alfred Russel Wallace (1823-1913) , relata  em seu livro Viagens pelo Amazonas e rio Negro . 2004. p. 235,  seu encontro com um dos mais belos araçaris, os araçaris de crista anelada.         Pela manhã, durante uns pares de horas, eu saía com a rede para capturar insetos.      Próximo do rio, nas margens, onde as águas da vazante deixavam depositado o barro que transportam, encontrava algumas espécies raras de borboletas, que pousava em tais lugares.    O araçari ou pequenos tucanos de várias espécies, eram abundantemente encontrados ali.      Os mais belos e mais raros são os araçaris de crista anelada, cuja cabeça se cobre de pequenos anéis listrados e são de uma substância muito mais semelhante a espinhos de pontas metálicas do que mesmo a penas.    Essas aves, por vezes, são abundantemente encontradas ali, porém só se veem algumas semanas após o aparecimento das outras espécies. Araçaris  John...

Literatura: Uma sinfonia de perfumes!

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Raimundo Morais (1872-1941), autor de vários livros sobre à Amazônia, comenta em seu romance Os Igaraúnas . 1985. p. 148-149, sobre a época em que desabrocham as flores e seus perfumes invadem a floresta.            [...]. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha a hileia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, róseos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta que evoca um jardim de gigantes, pois as Catléias e as Catasetuns desabrocham lá nos frisos superiores. Os litorâneos taxizeiros, ...

Viajantes: As palmeiras na Amazônia

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Herbert H. Smith (1851-1919), pesquisador norte-americano, veio ao Brasil em 1870 com o geólogo Charles Frederick Hartt e, alguns anos mais tarde, passou dois anos nos arredores de Santarém-Pa, explorando os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, escrevendo posteriormente  o livro: Brasil : a Amazônia. 2. ed. 2022, de onde é retirada essa citação sobre as palmeiras:           Quem quer que enxergue sentirá sua alma comovida pela maravilhosa beleza da vegetação. Não se vê um pedaço de chão; direita, surgindo da água, a floresta se levanta como uma parede-densa, escura, impenetrável, cem pés de esplendorosa vegetação. E, aparecendo por toda parte, no meio desse acúmulo de plantas, milhares de palmeiras. Pois as palmeias têm o seu habitat; em nenhum outro lugar da terra sua glória se exibe como nestes ermos. Macios e plumosos jupatis (Raphia taedigera), debruçados sobre a água; açaí (Euterpe edulis) com a leveza de plumas e buçus (Manicaria sacci...

Literatura: Os jacamins-de-costas-verdes

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Helmut Sick (1910-1991), ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro  comenta sobre as aves que encontrou em viagem que fez ao Brasil Central, publicado em sua obra Tukani : entre os animais e índios do Brasil Central. 1997. p. 99:           Sem que os animais me notassem, prossegui meu caminho. Acima de mim, um beija-flor banhou-se na folhagem delicada e ainda cheia de gotas de um galho mais arriado. Um grito agudo, erguendo-se do mato, anunciou a presença, sobre um tronco caído, de uma ave de pernas altas e pescoço curvo: era um jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), em que eu estava interessado. Seguiu-se um espetáculo indescritível com a repentina entrada em cena de muitos outros jacamins que, piando e cacarejando, corriam para todos os lados e voavam pelas moitas e árvores. Só quando um galho estalou e quebrou sob meus pés, o bando, dando pela minha presença, fugiu dali. Jacamim-de-costas-verdes ELETRONORTE. Pássaros do Brasil. 2...

LITERATURA: Viagem pelos rios da Amazônia

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Narrativa do repórter Ernesto Vinhaes, durante sua viagem à Amazônia, publicada na obra Aventuras de um repórter na Amazônia . 2. ed. 1941. p. 87.     Quantas vezes inclinava-me perigosamente a canoa sob o impulso de minhas mãos sequiosas por alcançar um ou outro piquiá, de polpa amarela e gostosamente doce, apesar de bastante oleoso. Cancãs e cojubins negros batiam asas, então, perturbados no seu piar monótono pela minha indesejável aparição. Pelos pedaços rotos da galharia perpassavam as sombras de corocas e socós em voo; e tapurus, que não sei de onde, despencam sobre meus ombros, mordendo-lhes ferozmente, como só as formigas da Amazônia sabem morder. Cancã J. Th. Descourtilz. Oiseaux du Brésil. 1834. www.biodiversitylibrary.org