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O Blog completa 13 anos!

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           O blog dedica-se, desde 2013, à divulgação de pesquisas sobre a fauna e a flora da Amazônia, reunindo descrições científicas acessíveis, curiosidades, lendas e relatos históricos de escritores,  viajantes e naturalistas que percorreram a região ao longo dos séculos.      É um espaço dedicado à divulgação da biodiversidade amazônica e à valorização das fontes históricas que documentaram a região ao longo do tempo.               Acompanhe, leia e partilhe essa história! Obrigada! Floresta tropical br.pinterest.com            

Literatura: O Pavãozinho-do-Pará e seu talismã

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     Não  possui a suntuosidade do pavão, nem o aparato teatral dos argos, mas é mimoso e delicado, move-se em serpenteios e ondulações, lançando para frente, docemente, a cabeça.                Tem um jeito particular de caçar moscas e daí lhe vem o cognome de papa-moscas. Neste mister mostra-se insuperável. Quando a mosca se aproxima, fita-a  de forma estranha, tomando a sua fisionomia, neste instante, o aspecto terrífico da de um ofídio, o que a cabeça achatada, ainda mais acentua.       Como a serpente parece lançar eflúvios hipnóticos, chispas de fogo, pelas suas pupilas incendidas, e de uma bocada, o que não falha, apanha o apetecido inseto.      Como é de índole pacífica, rápido se domestica, tornando-se  uma ave, que além de lindo aspecto decorativo, se mostra utilíssima, não somente para caçar moscas, mas toda espécie de insetos. [...].       O pavãozinho goza alto...

Viajantes: A utilidade das palmeiras na Amazônia

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    [...].  Estas palmeiras têm aplicações variadas para os misteres da vida: da casca do miritizeiro e do açaizeiro fazem-se tábuas para soalho de casas e pontes; dos pendões dessas palmeiras tiram-se talas para fabricação de cestos, gaiolas, esteiras, tipitis, etc.; com as folhas de ubuçuzeiros e do ubinzeiro cobrem-se as choupanas e até grandes casas; o âmago do pendão do jupatizeiro presta-se para fazerem paredes divisórias nas habitações. Grande parte dessas palmeiras são apreciadas na alimentação; o suco do açaí, tirado da película que cobre as sementes, e que é amolecido por meio de água tépida, transforma-se, depois de peneirado, em vinho de cor vermelho escuro de um sabor agradabilíssimo e muito apreciado pela quase totalidade dos habitantes; da bacaba e do patauá extrai-se também um vinho muito agradável de cor branca, ou avermelhada, os vinhos do carauá, do miriti, do tucumã e de algumas outras palmeiras também são muito apreciados, diferindo entre si pela cor ...

Literatura: A borboleta azul na selva amazônica

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     Nos varadouros e nas velhas estradas dos seringais da Amazônia - isto é, em plena selva equatorial - é frequente aparecer-nos, num voo irregular, surgindo não se sabe de onde, a Borboleta Azul, pertencente ao gênero Morpho , segundo Rodolpho von Ihering: "algumas são de cor azul intensa, com reflexo de seda e bordas pretas, outras são de um branco anilado, com pontos pretos sub marginados".      Com o seu voo incoerente e a sua beleza, a Borboleta Azul teria de incorporar-se à ação mítica de outros seres da selva amazônica.  FONTE: PEREIRA, M. Nunes. Moronguêtá : um decameron indígena. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980. v. 2. p. 521). Ilustração de Edward Donovan (1768-1837)  

Literatura: A beleza dos Tucanos e Araçaris

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         Se  quiséssemos buscar entre as aves do Brasil, uma que bem caracterizasse as singularidades das formas e a beleza de colorido de representante da avifauna neotropical, a escolha necessariamente recairia nos tucanos e araçaris. Só eles, de fato, ostentam aquelas formas aberrantes dos clássicos modelos da natureza, só eles se vestem com púrpuras realengas, com o amarelo alaranjado dos frutos tropicais, com o azul dos mares brasileiros, com o verde da nossa bandeira.  FONTE: S ANTOS, Eurico. Da ema ao beija-flor : vida e costumes das aves do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1952. p. 296. (Zoologia Brasílica, 4). Tucanos e Araçaris J. Th. Descourtilz. Ornithologie brésilienne, ou, Histoire des oiseaux du Brésil - remarquables par leur plumage, leur chant ou leurs habitudes . [1854-1856].  www.biodiversitylibrary.org

Viajantes: orquídeas que encontrei em um igapó

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          Em uma outra região mais aberta do igapó, um magnífico ipê-roxo sobressaia com sua copa maciça de flores. No alto do tronco branco havia duas enormes bromélias com folhas em formato de ânfora, de onde surgiam inflorescências corais. As plantas estavam em local muito elevado para serem alcançadas. Procurei por uma planta que estivesse ao alcance e encontrei três, porém sem flores. Havia muitas outras plantas a serem colhidas nesse local, pois esse igapó era um dos mais protegidos e férteis em epífitas que eu já tinha visto. As jarás cresciam entre os pau-d´arco, as cuíras e grandes árvores de madeira sólida. Durante nossa estada, um índio  presenteou-me com uma orquídea interessante, um labelo listrado, Catasetum discolor, enquanto remava sua canoa. Ao amanhecer, continuei adicionando Catasetuns e outras orquídeas, incluindo a adorável Aganisia cerulea, com inúmeras flores azuis à minha enorme coleção de espécies. FONTE: MEE, Margaret. Flores ...

Literatura: No sossego da floresta deserta

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João Peregrino da Silva Junior (1898-1983), jornalista, médico e escritor brasileiro, em seu livro A mata submersa e outras histórias da Amazônia . 1960. p. 65, descreve a floresta durante à noite e o  barulho que ocorre dentro dela.      Dentro do sossego da floresta deserta, o silêncio povoado de fantasmas abre as suas negras asas aterradoras. No quiriri da mata virgem, onde o estalido das folhas secas dança entre os estrilos das ciganas e dos grilos, ao ritmo melancólico da onomatopeia dos sapos e das corujas, dos caburés e das guaribas dos tucanos, dos nhambus, dos arapapás e araçaris. Adormece como um monstro da floresta o silêncio da noite tropical. O por do sol começa às quatro da tarde e às seis já é noite cerrada. Perto da mata, à beira do igarapé, debruça sobre o espelho negro das águas mansas o rancho de palha que agacha-se, transido de terror à sombra pesada do crepúsculo que o esmaga. Selva amazônica br.pinterest.com