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Viajantes: Bacaba-do-Pará

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            Como grupo natural, as palmeiras se destacam de todos os demais vegetais por uma individualidade e um caráter notavelmente distintos. Todavia, esse caráter comum, que faz delas uma ordem tão nitidamente definida não as impede de apresentar as mais frisantes diferenças. Como o conjunto, nenhum grupo vegetal possui fisionomia mais uniforme; como gêneros e espécie, nenhuma é mais variada, se bem que outros grupos compreendam um maior número de espécies. As diferenças me parecem determinadas, em larga medida pelo arranjo particular das folhas em torno de um eixo, leis hoje reconhecidas por todos os botânicos esclarecidos e por eles designadas pelo nome de Filotaxia. [...]. A palmeira conhecida pelo nome de bacaba-do-Pará (Oenocarpus distichus) é um belíssimo exemplo desse arranjo de folhas; estas se dispõem aos pares, uma por cima da outra, no alto da estipe, porém, em contato imediato formando uma coroa espessa em virtude de tal disposição, o ...

Viajantes: Convolvuláceas em flor

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         A cena é   infinitamente variada. Por vezes as palmeiras estão escondidas, mas mesmo assim a grande massa ondulante está prenhe de maravilhosas contradanças das centenas ou mais de espécies e árvores que a compõem; e, novamente, as palmeiras mantêm preponderância ímpar, apenas arbustos ou delicados cipós diminuem seu esplendor. Na maior parte dos lugares não se encontram muitos cipós de tamanho considerável; encontramos o seu reino mais a montante do rio e nas terras altas; por aqui notamos, algumas vezes, uma árvore acortinada com massas pendentes, como se uma tapeçaria verde houvesse sido lançada sobre ela. Perto das margens das águas, as convolvuláceas em flor misturam-se com as folhas escutiformes das aningas arborescentes [Caladium arborecens, etc.] e mangues permanecem de pé nas suas raízes semelhantes a andas e são lavados pela maré do estuário. FONTE: SMITH, Herbert H. Brasil : A Amazônia. Belém: Editora Paka-Tatu,  2022. p. 100-...

Viajantes: Maravilhosas formas de vegetação

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    Maravilhosas  formas de vegetação chamavam a cada passo a nossa atenção. Entre elas havia várias espécies de bromélias, ou plantas semelhantes ao ananás, com suas longas folhas rígidas, em forma de espadas, algumas com as bordas serrilhadas ou denteadas. Havia também a fruta-pão - árvores importadas, é certo - mas digna de nota por suas grandes folhas luzidias, verde-escuras, fortemente digitadas e por sua interessante história. Muitas outras plantas curiosas por suas hastes, folhagens ou modo de crescimento apareciam na orla da floresta que era atravessada pela estrada que percorríamos, todas eram cheias de atrativos para os recém-chegados, cuja última excursão campestre, em data muito recente, tinha sido realizada nos brejais frios do Condado de Derby, numa manhã de chuva e gelada de abril. FONTE: BATES, Henry Walter. O naturalista no rio Amazonas . São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1944. v.1. p. 35-36. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Série 5a. Brasiliana. ...

Lendas e Curiosidades: A Matinta Perera e a ave Saci

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    A   Matinta perera aparece como uma velha vestida de preto, com longa saia.      Na hora do encanto começa a pular e virar cambalhota com uma lamparina acesa na cabeça que misteriosamente não cai, mantendo acesa a chama até ela virar duende.     A partir daí começa a assombrar as pessoas, dando-lhes violentas dores de cabeça, o corpo fica moído, cheio de dores, etc.     Quando ela está rondando uma casa reconhece-se pelo assobio do pássaro que a crendice popular afirma ser o saci que a acompanha. Para uns é o próprio saci que se transforma na velha Matin.     Assustadas as pessoas podem prendê-la evitando de que prossiga a transformação. É só espetar uma agulha virgem num cinto de couro e rezar baixinho algumas orações. A Matinta se prende por ela mesma. naquela noite não mais prossegue a viagem - fica rondando a casa assoviando até o dia amanhecer. Então pede que desfaçam a prisão.     Mas, se não quiserem pren...

Viajantes: Os tucanos e os papagaios com suas características

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         Entre as aves trepadoras sobressaem as araras, que habitam o cimo das maiores árvores, onde comem e dormem. Os papagaios, sempre casados, passam a vida no tope dos madeiros. Os naturalistas os comparam, pela irrequietude, aos macacos, da mesma forma que comparam, pela lentidão, as preguiças dos tucanos. Estes, de bicos enormes se bem que leves, famosos trepadores, de vez em quando emigram dentro da própria bacia amazônica, atravessando vales e serras numa larga peregrinação que parece originária da postura. [...].   FONTE: Morais, Raimundo. Amphitheatro amazônico . São Paulo: Melhoramentos, 1936. p. 158. Tucano ( Ramphastos erythrorhynchus , Gmel. John Gould (1804-1881). A Monograph of The Ramphastidae or faimily of toucans.   2. ed. 1992.

Viajantes: A profusão de orquídeas e bromélias

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     A palmeira paxiúba (Iriathera exorrhiza) e algumas espécies de Cecropia (embaúba) exibem outra extravagância em suas raízes. Elas aparecem estar apoiadas em estacas, o verdadeiro tronco apenas começando a uns 2 ou 3 metros, acima do solo. Mas o que mais excita nossa admiração é a profusão de orquídeas e bromélias. Estas frondosas filhas dos trópicos envelopam om sua folhagem espessa, com folhas e flores do mais irregulares formatos, tanto os troncos de árvores já caídas quanto aquelas em que ainda há pleno vigor, formando jardins suspensos de surpreendente magnificência. Em todo lugar, nos galhos e no chão, e mesmo nas frestas  da rocha bruta, ramos delicados de um rico musgo afloram e vestem de um frescor verde os troncos já tombados. FONTE: KELLER-LËUZINGER, Franz. Os rios Amazonas e Madeira: esboços e relatos de um explorador. Belo Horizonte: Editora Dialética, 2021. p. 174. Orquídeas e bromélias br.pinterest.com        

Uma nova pesquisa começa: Plantas úteis na Amazônia

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     Começo uma nova etapa de pesquisa para uma futura publicação: Plantas úteis na Amazônia: conhecimentos, usos, histórias e lendas das principais espécies medicinais, aromáticas, alimentícias e madeireiras.    Será um trabalho de caráter histórico e bibliográfico , dedicado a algumas das principais plantas úteis da Amazônia, procurando reunir não apenas seus usos e conhecimentos tradicionais, mas também as histórias, curiosidades e lendas que fazem parte da relação entre povos e floresta.     A pesquisa percorrerá livros, relatos de viagens, obras de botânica e outras fontes bibliográficas, recuperando registros deixados por viajantes e naturalistas que percorreram a Amazônia , além de citações e estudos de antropólogos, folcloristas e outros estudiosos da região . Esses diferentes olhares ajudarão a mostrar como as plantas foram observadas, descritas, utilizadas e incorporadas à vida e a cultura amazônica ao longo do tempo.     As fontes ...