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Viajantes: Os mais belos araçaris

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Alfred Russel Wallace (1823-1913) , relata  em seu livro Viagens pelo Amazonas e rio Negro . 2004. p. 235,  seu encontro com um dos mais belos araçaris, os araçaris de crista anelada.         Pela manhã, durante uns pares de horas, eu saía com a rede para capturar insetos.      Próximo do rio, nas margens, onde as águas da vazante deixavam depositado o barro que transportam, encontrava algumas espécies raras de borboletas, que pousava em tais lugares.    O araçari ou pequenos tucanos de várias espécies, eram abundantemente encontrados ali.      Os mais belos e mais raros são os araçaris de crista anelada, cuja cabeça se cobre de pequenos anéis listrados e são de uma substância muito mais semelhante a espinhos de pontas metálicas do que mesmo a penas.    Essas aves, por vezes, são abundantemente encontradas ali, porém só se veem algumas semanas após o aparecimento das outras espécies. Araçaris  John...

Literatura: Uma sinfonia de perfumes!

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Raimundo Morais (1872-1941), autor de vários livros sobre à Amazônia, comenta em seu romance Os Igaraúnas . 1985. p. 148-149, sobre a época em que desabrocham as flores e seus perfumes invadem a floresta.            [...]. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha a hileia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, róseos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta que evoca um jardim de gigantes, pois as Catléias e as Catasetuns desabrocham lá nos frisos superiores. Os litorâneos taxizeiros, ...

Viajantes: As palmeiras na Amazônia

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Herbert H. Smith (1851-1919), pesquisador norte-americano, veio ao Brasil em 1870 com o geólogo Charles Frederick Hartt e, alguns anos mais tarde, passou dois anos nos arredores de Santarém-Pa, explorando os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, escrevendo posteriormente  o livro: Brasil : a Amazônia. 2. ed. 2022, de onde é retirada essa citação sobre as palmeiras:           Quem quer que enxergue sentirá sua alma comovida pela maravilhosa beleza da vegetação. Não se vê um pedaço de chão; direita, surgindo da água, a floresta se levanta como uma parede-densa, escura, impenetrável, cem pés de esplendorosa vegetação. E, aparecendo por toda parte, no meio desse acúmulo de plantas, milhares de palmeiras. Pois as palmeias têm o seu habitat; em nenhum outro lugar da terra sua glória se exibe como nestes ermos. Macios e plumosos jupatis (Raphia taedigera), debruçados sobre a água; açaí (Euterpe edulis) com a leveza de plumas e buçus (Manicaria sacci...

Literatura: Os jacamins-de-costas-verdes

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Helmut Sick (1910-1991), ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro  comenta sobre as aves que encontrou em viagem que fez ao Brasil Central, publicado em sua obra Tukani : entre os animais e índios do Brasil Central. 1997. p. 99:           Sem que os animais me notassem, prossegui meu caminho. Acima de mim, um beija-flor banhou-se na folhagem delicada e ainda cheia de gotas de um galho mais arriado. Um grito agudo, erguendo-se do mato, anunciou a presença, sobre um tronco caído, de uma ave de pernas altas e pescoço curvo: era um jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), em que eu estava interessado. Seguiu-se um espetáculo indescritível com a repentina entrada em cena de muitos outros jacamins que, piando e cacarejando, corriam para todos os lados e voavam pelas moitas e árvores. Só quando um galho estalou e quebrou sob meus pés, o bando, dando pela minha presença, fugiu dali. Jacamim-de-costas-verdes ELETRONORTE. Pássaros do Brasil. 2...

LITERATURA: Viagem pelos rios da Amazônia

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Narrativa do repórter Ernesto Vinhaes, durante sua viagem à Amazônia, publicada na obra Aventuras de um repórter na Amazônia . 2. ed. 1941. p. 87.     Quantas vezes inclinava-me perigosamente a canoa sob o impulso de minhas mãos sequiosas por alcançar um ou outro piquiá, de polpa amarela e gostosamente doce, apesar de bastante oleoso. Cancãs e cojubins negros batiam asas, então, perturbados no seu piar monótono pela minha indesejável aparição. Pelos pedaços rotos da galharia perpassavam as sombras de corocas e socós em voo; e tapurus, que não sei de onde, despencam sobre meus ombros, mordendo-lhes ferozmente, como só as formigas da Amazônia sabem morder. Cancã J. Th. Descourtilz. Oiseaux du Brésil. 1834. www.biodiversitylibrary.org

Literatura: O Galo-da-Serra

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Rodolpho von Ihering, em Dicionário dos animais do Brasil. 1968. p. 312, comenta sobre a dança dos galos-da-serra          São dançarinos, também, os galos-da-serra, e a eles tanto Humboldt como os irmãos Schomburgk dedicaram belas páginas em suas famosas narrativas de viagens.               Infelizmente não temos, ao que nos conste, outras    descrições de escritores nossos, que tenham relatado o        espetáculo, de acordo com observações próprias. Seria, no    entanto, tema dos mais dignos de ser desenvolvido pelos poetas verdadeiramente apaixonados pelos segredos das nossas florestas. Embrenhando-se pela mata cerrada, talvez junto a um córrego, encontrará o artista, na clareira, um pequeno tabuleiro de rocha, atapetado pelo musgo. Escondido em meio da folhagem, imitará os gritos quase miados do galo-da-rocha e terá logo a  resposta de várias dessas aves,  que assim se...

Literatura: Os papagaios

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      Eurico Santos (1883-1968) jornalista brasileiro,  em sua obra Da ema ao beija-flor.  2. ed. 1952. p. 207, comenta sobre o modo de vida dos papagaios:      Uma vez  terminada a incubação, reúnem-se as famílias em grandes bandos em procura das fruteiras silvestres. Quando descobrem uma roça de milho, então é um regabofe: abatem sobre ela muito caladinhos e só se ouve o "trac-trac" das mandíbulas.     À tarde após as excursões. volta o bando gárrulo ao pouso escolhido e, antes de se acomodarem, disputam os papagaios entre si os melhores sítios, surgindo altercações, roucas imprecações e beliscadas de arrancar penas.     Quando tudo já parece que serenou, rebenta nova discussão entre vizinhos mal acomodados e, de novo, o bando todo protesta contra o distúrbio e novamente o berreiro se alastra pela floresta.     Adensa-se o crepúsculo, as sombras da noite descem e então reina o silêncio no bivaque dos papagaios....