Viajantes: As palmeiras na Amazônia

Herbert H. Smith (1851-1919), pesquisador norte-americano, veio ao Brasil em 1870 com o geólogo Charles Frederick Hartt e, alguns anos mais tarde, passou dois anos nos arredores de Santarém-Pa, explorando os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, escrevendo posteriormente  o livro: Brasil: a Amazônia. 2. ed. 2022, de onde é retirada essa citação sobre as palmeiras:


        Quem quer que enxergue sentirá sua alma comovida pela maravilhosa beleza da vegetação. Não se vê um pedaço de chão; direita, surgindo da água, a floresta se levanta como uma parede-densa, escura, impenetrável, cem pés de esplendorosa vegetação. E, aparecendo por toda parte, no meio desse acúmulo de plantas, milhares de palmeiras. Pois as palmeias têm o seu habitat; em nenhum outro lugar da terra sua glória se exibe como nestes ermos. Macios e plumosos jupatis (Raphia taedigera), debruçados sobre a água; açaí (Euterpe edulis) com a leveza de plumas e buçus (Manicaria saccifera) com suas formas de vasos verde-claros e grandes; nobres miritis (Mauritia flexuosa) de folhas em leque, espiando do alto de suas colunas de oitenta pés de altura e outras, que à princípio dificilmente observamos, apesar de nobres entre seus pares. Se as palmeiras isoladamente são estimadas como as mais belas das árvores, que diremos quando sua multidão é contada, não por vintenas nem por centenas, mas por milhares e postas contra o fundo de uma floresta como outra  não se vê  fora dos trópicos?


Oenocarpus minor Mart. Bactris acanthocarpoides Barb. Rodr.
J. Barbosa Rodrigues. Sertum palmarum brasiliensium. 1989.





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