Literatura: Uma sinfonia de perfumes!
Raimundo Morais (1872-1941), autor de vários livros sobre à Amazônia, comenta em seu romance Os Igaraúnas. 1985. p. 148-149, sobre a época em que desabrocham as flores e seus perfumes invadem a floresta.
[...]. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha a hileia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, róseos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta que evoca um jardim de gigantes, pois as Catléias e as Catasetuns desabrocham lá nos frisos superiores. Os litorâneos taxizeiros, abrindo as flores como as hortênsias brancas, vermelhas, azuladas, ferruginosas, reforçam a beleza marginal da mata nesses meses em que a água baixa. A floresta volve-se, enfim, numa fonte de aromas numa sinfonia de perfumes, numa onda de essências. [...].

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