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Mostrando postagens de abril, 2026

Viajantes: orquídeas que encontrei em um igapó

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          Em uma outra região mais aberta do igapó, um magnífico ipê-roxo sobressaia com sua copa maciça de flores. No alto do tronco branco havia duas enormes bromélias com folhas em formato de ânfora, de onde surgiam inflorescências corais. As plantas estavam em local muito elevado para serem alcançadas. Procurei por uma planta que estivesse ao alcance e encontrei três, porém sem flores. Havia muitas outras plantas a serem colhidas nesse local, pois esse igapó era um dos mais protegidos e férteis em epífitas que eu já tinha visto. As jarás cresciam entre os pau-d´arco, as cuíras e grandes árvores de madeira sólida. Durante nossa estada, um índio  presenteou-me com uma orquídea interessante, um labelo listrado, Catasetum discolor, enquanto remava sua canoa. Ao amanhecer, continuei adicionando Catasetuns e outras orquídeas, incluindo a adorável Aganisia cerulea, com inúmeras flores azuis à minha enorme coleção de espécies. FONTE: MEE, Margaret. Flores ...

Literatura: No sossego da floresta deserta

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João Peregrino da Silva Junior (1898-1983), jornalista, médico e escritor brasileiro, em seu livro A mata submersa e outras histórias da Amazônia . 1960. p. 65, descreve a floresta durante à noite e o  barulho que ocorre dentro dela.      Dentro do sossego da floresta deserta, o silêncio povoado de fantasmas abre as suas negras asas aterradoras. No quiriri da mata virgem, onde o estalido das folhas secas dança entre os estrilos das ciganas e dos grilos, ao ritmo melancólico da onomatopeia dos sapos e das corujas, dos caburés e das guaribas dos tucanos, dos nhambus, dos arapapás e araçaris. Adormece como um monstro da floresta o silêncio da noite tropical. O por do sol começa às quatro da tarde e às seis já é noite cerrada. Perto da mata, à beira do igarapé, debruça sobre o espelho negro das águas mansas o rancho de palha que agacha-se, transido de terror à sombra pesada do crepúsculo que o esmaga. Selva amazônica br.pinterest.com

Literatura: Os travessos e irrequietos japiins.

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J osé Veríssimo (1857-1916), escritor, educador, jornalista e estudioso brasileiro,  em seu livro Cenas da vida amazônica, 2011, em edição organizada por Antônio Dimas, relata cenas interessantes sobre o pássaro japiim e seus ninhos:      Pelo céu passam gritando alegremente, bandos de marrecas e nuvens de verdes de papagaios tagarelas e periquitos estrídulos; os canários da terra, amarelos como gemas d´ovo, de cujo tamanho são, chilreiam nos arbustos as suas cançonetas de uma frescura cristalina e pura; das mongubeiras, donde pendem, como grandes frutas pardas os ninhos dos japiins, estes passarinhos travessos, irrequietos, espalham em roda a sua melodiosa algazarra, brilhando por entre o verde das folhas e o escuro dos ninhos com a sua vivíssima cor amarela, realçada sobre o negro lustrosíssimo  . J apiim Álbum de aves amazônicas 1900-1906 Desenho de Ernst Lohse (1873-1930)