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Literatura: Os travessos e irrequietos japiins.

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J osé Veríssimo (1857-1916), escritor, educador, jornalista e estudioso brasileiro,  em seu livro Cenas da vida amazônica, 2011, em edição organizada por Antônio Dimas, relata cenas interessantes sobre o pássaro japiim e seus ninhos:      Pelo céu passam gritando alegremente, bandos de marrecas e nuvens de verdes de papagaios tagarelas e periquitos estrídulos; os canários da terra, amarelos como gemas d´ovo, de cujo tamanho são, chilreiam nos arbustos as suas cançonetas de uma frescura cristalina e pura; das mongubeiras, donde pendem, como grandes frutas pardas os ninhos dos japiins, estes passarinhos travessos, irrequietos, espalham em roda a sua melodiosa algazarra, brilhando por entre o verde das folhas e o escuro dos ninhos com a sua vivíssima cor amarela, realçada sobre o negro lustrosíssimo  . J apiim Álbum de aves amazônicas 1900-1906 Desenho de Ernst Lohse (1873-1930)

Literatura: Um interminável viveiro de plantas aquáticas.

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O romancista português José Maria Ferreira de Castro (1898-?), trabalhou em um seringal na Amazônia, e dessa árdua experiência, surgiu, muitos anos depois, o romance A Selva , editado em Portugal. Aqui, um trecho desse livro, registrado por Ferreira de Castro em uma segunda edição da obra publicada em 1937.     Ainda mais adornos povoavam a água preguiçosa na marcha, a água grossa e barrenta: o mururé, a aninga, o muri, as ilhas da canarana que se desprendera das margens - um interminável viveiro de plantas aquáticas e vagabundas, perante as quais são pobres e tristes todos os nenúfares do Oriente. esta levava as folhas coladas à água, formando ninho vede e macio; aquela, erguia as palmas para o céu deixando que a luz lhe traspassasse o recorte fantástico - e iam outras, ainda que vogavam ligados entre si, constituindo colônia e plinto errante de garças melancólicas. Plantas aquáticas na Amazônia - Pinterest-Brasil          

Viajantes: Uma linda Gustavia branca

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M argaret Mee (1909-1988) artista e botânica, em uma de suas viagens à Amazônia, registrou em seu livro Flores da floresta amazônica. 2. ed. 2010, seu encontro com uma Gustavia de flores brancas, a qual está ilustrada por ela, na mesma obra.    Uma enorme lua surgiu nesse paraíso de tranquilidade, silencioso, não fosse o coral de sapos e lamentos tristes das corujas e pássaros noturnos. Foi nesse local que ouvi pela primeira vez o mais incrível lamento de um pássaro noturno: o da saracura.      Iniciei o dia seguinte com uma bela coleção de plantas e sementes do Bombax munguba e seus grandes tubérculos roxos repletos de paina, onde se alojavam as sementes muito procuradas por papagaios.     Apesar de as águas terem permanecido turbulentas, consegui colher uma linda Gustavia branca com o miolo laranja. Tive muita dificuldade para pintar as flores tão delicadas, pois o barco balançava muito devido ao forte vento. Gustavia sp. Margaret Mee (1909-1988) ...

Viajantes: Os mais belos araçaris

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Alfred Russel Wallace (1823-1913) , relata  em seu livro Viagens pelo Amazonas e rio Negro . 2004. p. 235,  seu encontro com um dos mais belos araçaris, os araçaris de crista anelada.         Pela manhã, durante uns pares de horas, eu saía com a rede para capturar insetos.      Próximo do rio, nas margens, onde as águas da vazante deixavam depositado o barro que transportam, encontrava algumas espécies raras de borboletas, que pousava em tais lugares.    O araçari ou pequenos tucanos de várias espécies, eram abundantemente encontrados ali.      Os mais belos e mais raros são os araçaris de crista anelada, cuja cabeça se cobre de pequenos anéis listrados e são de uma substância muito mais semelhante a espinhos de pontas metálicas do que mesmo a penas.    Essas aves, por vezes, são abundantemente encontradas ali, porém só se veem algumas semanas após o aparecimento das outras espécies. Araçaris  John...

Literatura: Uma sinfonia de perfumes!

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Raimundo Morais (1872-1941), autor de vários livros sobre à Amazônia, comenta em seu romance Os Igaraúnas . 1985. p. 148-149, sobre a época em que desabrocham as flores e seus perfumes invadem a floresta.            [...]. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha a hileia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, róseos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta que evoca um jardim de gigantes, pois as Catléias e as Catasetuns desabrocham lá nos frisos superiores. Os litorâneos taxizeiros, ...

Viajantes: As palmeiras na Amazônia

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Herbert H. Smith (1851-1919), pesquisador norte-americano, veio ao Brasil em 1870 com o geólogo Charles Frederick Hartt e, alguns anos mais tarde, passou dois anos nos arredores de Santarém-Pa, explorando os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, escrevendo posteriormente  o livro: Brasil : a Amazônia. 2. ed. 2022, de onde é retirada essa citação sobre as palmeiras:           Quem quer que enxergue sentirá sua alma comovida pela maravilhosa beleza da vegetação. Não se vê um pedaço de chão; direita, surgindo da água, a floresta se levanta como uma parede-densa, escura, impenetrável, cem pés de esplendorosa vegetação. E, aparecendo por toda parte, no meio desse acúmulo de plantas, milhares de palmeiras. Pois as palmeias têm o seu habitat; em nenhum outro lugar da terra sua glória se exibe como nestes ermos. Macios e plumosos jupatis (Raphia taedigera), debruçados sobre a água; açaí (Euterpe edulis) com a leveza de plumas e buçus (Manicaria sacci...

Literatura: Os jacamins-de-costas-verdes

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Helmut Sick (1910-1991), ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro  comenta sobre as aves que encontrou em viagem que fez ao Brasil Central, publicado em sua obra Tukani : entre os animais e índios do Brasil Central. 1997. p. 99:           Sem que os animais me notassem, prossegui meu caminho. Acima de mim, um beija-flor banhou-se na folhagem delicada e ainda cheia de gotas de um galho mais arriado. Um grito agudo, erguendo-se do mato, anunciou a presença, sobre um tronco caído, de uma ave de pernas altas e pescoço curvo: era um jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), em que eu estava interessado. Seguiu-se um espetáculo indescritível com a repentina entrada em cena de muitos outros jacamins que, piando e cacarejando, corriam para todos os lados e voavam pelas moitas e árvores. Só quando um galho estalou e quebrou sob meus pés, o bando, dando pela minha presença, fugiu dali. Jacamim-de-costas-verdes ELETRONORTE. Pássaros do Brasil. 2...

LITERATURA: Viagem pelos rios da Amazônia

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Narrativa do repórter Ernesto Vinhaes, durante sua viagem à Amazônia, publicada na obra Aventuras de um repórter na Amazônia . 2. ed. 1941. p. 87.     Quantas vezes inclinava-me perigosamente a canoa sob o impulso de minhas mãos sequiosas por alcançar um ou outro piquiá, de polpa amarela e gostosamente doce, apesar de bastante oleoso. Cancãs e cojubins negros batiam asas, então, perturbados no seu piar monótono pela minha indesejável aparição. Pelos pedaços rotos da galharia perpassavam as sombras de corocas e socós em voo; e tapurus, que não sei de onde, despencam sobre meus ombros, mordendo-lhes ferozmente, como só as formigas da Amazônia sabem morder. Cancã J. Th. Descourtilz. Oiseaux du Brésil. 1834. www.biodiversitylibrary.org

Literatura: O Galo-da-Serra

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Rodolpho von Ihering, em Dicionário dos animais do Brasil. 1968. p. 312, comenta sobre a dança dos galos-da-serra          São dançarinos, também, os galos-da-serra, e a eles tanto Humboldt como os irmãos Schomburgk dedicaram belas páginas em suas famosas narrativas de viagens.               Infelizmente não temos, ao que nos conste, outras    descrições de escritores nossos, que tenham relatado o        espetáculo, de acordo com observações próprias. Seria, no    entanto, tema dos mais dignos de ser desenvolvido pelos poetas verdadeiramente apaixonados pelos segredos das nossas florestas. Embrenhando-se pela mata cerrada, talvez junto a um córrego, encontrará o artista, na clareira, um pequeno tabuleiro de rocha, atapetado pelo musgo. Escondido em meio da folhagem, imitará os gritos quase miados do galo-da-rocha e terá logo a  resposta de várias dessas aves,  que assim se...