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As samambaias que encantam a vista

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          Nenhuma floresta do globo possui como a da Amazônia maior número de epífitas e parasitas crescidas sob a forma de musgos e de ervas, de lianas e de arbustos. Enlaçadas, enroscadas, confundidas vicejam em tapetes, em alfombras, em festões, em vassouras, em umbelas. Mata de clima quente e úmido, semelhante a outras remotas e longínquas, [...], vai das gregas de samambaias que encantam a vista pelo desenho das folhas, ao tipo monumental  das sumaumeiras que espantam o observador pela grandeza.              Assim, no recesso florestal, cheio de sombra e de silêncio durante o dia, atormentado  de vozes e de rumores durante a noite, a multiplicidade das espécies polariza-se na beleza e na estrutura. Por dez metros quadrados de terreno há cem famílias vegetais, cujo contorno, altura e tinta se repelem e se chocam. [...]. FONTE: MORAIS, Raimundo. Na planície amazônica. 7. ed. Brasília: Senado Federal, Conselho...

Uma Sumaumeira gigantesca

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          O paranazinho estreita-se ainda mais, aos dez minutos de marcha. Ninguém diz uma palavra. Um encalhe ali é perigoso: as piranhas são as últimas a abandonar o rio, por ocasião da vazante, e nós teríamos de cair n´água para tentar desembaraçar nosso barco do fundo barrento. Uma sumaumeira gigantesca, de uns 60 metros de altura, ergue-se bem na beira do barranco. O fruto da sumaumeira, quando chega o seu "tempo", espoca e dele caem fios alourados e macios, como seda, que servem para encher travesseiros: os caboclos destas paragens recostam sua cabeça nos travesseiros mais macios do mundo. FONTE:  MELLO, Thiago de. Notícia da visitação que fiz no verão de 1953 ao Rio Amazonas e seus barrancos. Manaus: Editora Valer, 2020. p. 69-70. Sumaumeira ( Ceiba pentandra ) na Ilha de Colares - Praia do Humaitá - PA Fotografia de Rosane Oliveira A mesma Sumaumeira em plena liberação de suas sementes envoltas numa paina (kapoc). Milhões de minúsculas semente...

Arara azul

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          As Araras são por certo uma das mais brilhantes figuras das florestas equatoriais da América do Sul, e compreender-se-á facilmente quanto ficamos surpreendidos por encontrar aqui, na costa da Guiana, uma das espécies mais raras, a Arara azul ( Ara hyacinthina ) em circunstâncias que nos permitem de a considerar uma ave comum nestas regiões. De uma vez vimos juntos oito indivíduos, formando quatro casais. Os indígenas, todos brasileiros do Estado do Pará (pelo menos ao longo do Cunani e da região costeira do Norte) falam da Arara azul, que é aliás uma espécie rara nos jardins zoológicos, como uma "ave de arribação", comum na estação seca, e ausente durante certos meses. Pouco depois tive ensejo de convencer-me pessoalmente de que a Ara hyacinthina estava realmente de choco nesta estação na zonas costeira da Guiana meridional. FONTE: GOELDI, Emílio A. Resultados ornithologicos de uma viagem de naturalistas à costa da Guyana meridional. Boletim do M...

A cada momento uma surpresa, uma revelação ...

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         E a cada passo, a cada momento, uma revelação, uma surpresa, um espanto novo dentro da ramaria entrançada, da teia retorcida dos cipós, das moitas de ervas -  de tudo aquilo que parece deter o nosso passo, que nos prende ao solo úmido, que nos fecha todas as direções, sem uma clareira para desafogo.          Cerca-nos por todos os lados um estranho universo que nem poderíamos imaginar.          Os vegetais tomam aspectos surpreendentes, são como singular sociedade onde cada indivíduo tem uma função determinada, um temperamento, uma atitude, uma vida própria. Parece que existe uma lei especial regendo aquele organismo fitológico que começamos a compreender, a estudar, a respeitar, como se fossem nossos irmãos, inferiores apenas pela mudez e pela estabilidade.             Certamente deve ter sido essa a impressão de todos os sábios, de todos os fitógrafos, de to...

Mas que maravilhosa flor amarela será aquela, suspensa no ar?

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            [...]. Mas que maravilhosa flor amarela será aquela, estranhamente suspensa no ar? Suas pétalas brilham na penumbra como se fosse de ouro! Aproximamo-nos dela, e o mistério se esclarece: está presa a uma haste delgada como um fio, de uma jarda e meia de comprimento, saindo de um denso aglomerado de folhas que se acha fixado numa casca de árvore. Trata-se de uma variedade de Oncidium, uma das mais lindas orquidáceas, alegrando essa melancólica penumbra com suas brilhantes folhas suspensas. Aos poucos, outras vão surgindo, em profusão cada vez maior, ora brancas, ora purpúreas, ora rajadas; algumas presas a troncos flutuantes, mas a maioria sobre musgos que crescem dentro dos ocos das árvores. Há uma espécie verdadeiramente magnífica, que tem 4 polegadas de largura. Os nativos chamam-na de flor-de-Santana. Tem pétalas roxas e brilhantes, e seu perfume é delicadíssimo. Trata-se de uma espécie nova. No gênero, é a flor mais maravilhosa dessa r...

Viagem por um igarapé

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          Nossa viagem pelo igarapé acima foi ótima. É um riozinho estreito, de águas escuras, profundo, atualmente cheio e correndo muito. Dos lados, a mata é alta e densa, rica em embaubeiras, jenipapo, açaís, jauaris e ingazeiros, tão comuns nas beiras dos rios desta zona. De vez em quando, destacava-se uma seringueira ( Hevea brasiliensis Muell. Arg.), de caule branquicento e folhagem inconfundível. [...]. FONTE: CARVALHO, José Cândido de Melo. Notas de viagem ao Javari-Itacoari-Juruá. Publicações Avulsas do Museu Nacional, Rio de Janeiro, n. 13, p. 16, 1955. Inga sp. Britton, N. L.; Horne, F. W. Popular flora of Puerto Rico . Desenho de F. W. Horne. www.plantillustrations.org

A vitória-régia

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         Ela é a planta aquática que se tornou uma espécie de logotipo amazônico. Aparece em tudo que é folheto de turismo como se fosse flor. Pois não é. A vitória-régia é planta. E planta de uma folha só. Mas planta que dá flor. De sua raiz, fincada no fundo do lago, sobe um cipó grosso, retorcido que ao chegar à superfície da água vai formando uma folha, que cresce, que cresce, cada vez mais e sempre redonda, chega a ter um metro de diâmetro. Redondinha que dá gosto, cheia de nervuras, parece uma grande bandeja verde, de bordas reviradas.           Vi, num verão de cheia desconforme, no laguinho em frente ao lugar de Neném Cabral, amiga de minha mãe, uma vitória-régia que acabava de dar flor. Já nasce grande, arredondada como um repolho, só que lilás. Nasce da folha, não tem haste. A face interior da folha, que repousa na água, é escurecida e espinhenta. Embaixo dela o jacaré cochila. A jaçanã fica pulando em cima dela, feli...