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Viajantes: Laranjas

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"Jantamos sentados em grande esteira, sobre a qual fora estendida toalha branca, muito limpa. A refeição constituiu de galinha com arroz (o prato comum desta região para as visitas) com sobremesa de "laranjas torradas", isto é, de laranjas parcialmente secas ao sol. O fruto, cultivado no pomar de Gaspar com cuidado um pouco maior do que é habitual nessa região, já era de boa qualidade, mas tratado desta forma tinha uma doçura e riqueza de sabor muito superiores a tudo o que eu até agora tinha provado. Quando íamos embora nosso hospedeiro, que ouvira meus louvores ao fruto mandou para a canoa de presente, grande cesto cheio". Henry Walter Bates (1825-1892) . O naturalista no rio Amazonas . 1944, v. 2, p. 289.     Laranja Ilustração de J. Th. Descourtilz 

Reflexões: A casa do coração!

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A casa do coração     Friedrich Rükert (1788-1866) Tesouro da Juventude. v.5, 1963.     O coração tem dois quartos: Moram ali, sem se ver, Num a Dor, noutro o Prazer.   Quando o Prazer no seu quarto Acorda cheio de ardor, No seu adormece a Dor.   Cuidado, Prazer, cautela! Canta e ri mais devagar.. Não vá a Dor acordar...       Pintura de Claude Monet (1840-1926)  

Viajantes: Araras

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"[...]. As esplêndidas araras e outras belas aves da mesma família adornam essas matas umbrosas formadas das mais variadas plantas. Um bando de vinte ou mais, tal como o que vimos iluminado pelos raios esplendentes do sol, pousado numa árvore de um verde reluzente, constitui, decerto, quadro magnífico, de que só podem fazer ideia os que o tenham contemplado. Trepam agilmente pelos cipós entrelaçados e expõem orgulhosamente aos raios do sol, em todas as faces os corpos terminados pelos rabos compridos. Eram então, vistas frequentemente na parte baixa, ou à meia altura, de uma trepadeira espinhosa, aí denominada "espinho", de cujo fruto, que a esse tempo amadurecia, gostavam muito, [...]". Maximilian zu Wied-Neuwied. Viagem ao Brasil . 1958. p. 241.     Arara. Edward Lear (1812–88) 

Lendas e Curiosidades: Jaquiranambóia

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A Jaquiranambóia é uma interessante criaturinha que em toda parte do nosso vasto território é conhecida através de um interminável rosário de superstições. O vocábulo Jaquiranambóia, jiquirana bóia, jitirana bóia ou jiquitirana bóia, segundo os letrados indianólogos são corruptelas de iaquirana-bói , que quer dizer cigarra-cobra, talvez uma alusão a forma extravagante do esquisito prolongamento cefálico cheio de rajas de carregada cor. É a Ñakirâ-mbói do Paraguai, que segundo Bertoni, significa cigarra-cobra como no Brasil. O nosso lendário animalzinho, tão cercado de mistérios, é apenas um inocente homóptero, que na crença popular, é cego, seca a árvore onde pousa, fulmina o incauto que dele se aproxima e arrasta um inacabável cortejo de desgraças. Mas em resumo o que é a jaquiranambóia, esse mito da imaginação popular, sempre fértil? Responderemos será tudo isso, que dizem apenas não é cega, não seca a árvore onde pousa, não fulmina ninguém, nem é mensageira de nenhuma ...

Viajantes: O mês de julho na Amazônia!

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"O mês de julho ia correndo muito farto. Abundavam o peixe, a caça, a fruta. A mudança do tempo surgira com a vazante, característico sinal do grande calendário amazônico. O descer das águas no aranhol hidrográfico vira a folha do almanaque e a estação adquire um cunho de primavera, maximé na pestana verde e ribeirinha dos rios. Aí, nessa quadra pitoresca e risonha, a hiléia matiza-se de flores. Gritam o vermelho e o amarelo na umbela das árvores. É uma festa da natureza presidida por alguma divindade silvestre. Os paus d´arco se cobrem de ouro e violeta. Os cipós enfeitam-se de corolas. As orquídeas explodem em ramalhetes, em buquês, em cachos de campainhas e cálices brancos, roxos, pintados, cróceos. O cheiro que se exala dessas caçoletas aéreas, entornando fragrâncias no éter, guarda a sutileza de essências de serralhos e de templos. Em certos recantos da selva, sobretudo na muralha de verdura das beiradas, a floração é tão alta  que evoca um jardim de gigantes, pois as catle...

Reflexões: Os Beija-flores!

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Os Beija-flores!     Como beijos escapados  Ao coração da floresta, Voam por todos os lados Os beija-flores em festa.   Numa algazarra ruidosa, Leves asas adejando, Ora um cravo, ora uma rosa, Acariciam de brando.   Não fazem grande demora: Em busca de outros afetos, Na manhã clara e sonora, Lá se vão irrequietos...   Sobem sorrindo as colinas, Descem aos vales sem pouso, Bicando as flores franzinas, Que o mato ostenta garboso.   Na luz dourada suspensos, Bailam por curtos instantes... Depois por campos extensos Partem, boêmios, inconstantes...   Partem, mas de quando em quando, A encher o azul de fulgores, Sobre carolas, ruflando, Pairam: flores sobre flores...   Elóra Possólo Chaoul Fauna, a. 2, n. 6, jun. 1943, p. 36     Colibri. Martin Johnson Heade(1819-1904) - Tutt'Art@       

Viajantes: Mata virgem!

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"Com a aproximação da noite, a mata começava a animar-se. Da crista do arvoredo mais alto, onde, aos raios do sol, sazonam frutos e se abrem as corolas perfumosas, desciam bandos de macacos e esfuziava a passarinhada em busca de seus ninhos. É que a natureza amazônica reproduz os jardins suspensos de Semíramis. A muitos metros do solo, as frondes portentosas tecem-se num vergel florido que atrai, durante o dia todos os habitantes da floresta. Assim, enquanto no recesso da mata tudo é silêncio e obscuridade, vai lá por cima uma agitação constante. São ramos que verga ao peso dos animais: araras e tucanos que tricolejam sementes duras; flores que se esfarfalham tocadas pelos beija-flores; gritos agudos, chilreados álacres; frêmitos de asas, ruge-ruge de penas... A noite, porém, traz a transmutação do cenário. Povoa-se o sobosque em detrimento do dossel de verdura. A bicharada baixa a seus esconderijos:  estalidam galhos, sombras esgueiram-se na meia luz do crepúsculo. As aves ...