Concerto noturno no Tocantins


"Toda noite, enquanto estivemos no curso superior do rio, escutávamos um verdadeiro concerto de rãs, composto de sons realmente extraordinários. As rãs emitem três tipos de sons, fazendo-o, não raro, simultaneamente. Um desses sons era aquele que efetivamente se pode esperar ouvir de uma rã, ou seja, um coaxar lúgubre. Mas os outros dois não lembravam nenhuma das vozes de animais que eu porventura já tivesse ouvido, antes parecendo o barulho de um trem-de-ferro que se aproximava e o ruído do malho do ferreiro batendo na bigorna. A semelhança era tão grande que por mais de uma vez, enquanto cochilava na embarcação, cheguei a acreditar  que estivesse em minha casa escutando familiares ruídos do trem-correio que chegava e do martelar dos caldeireiros na sua faina cotidiana. O contra canto era feito pelos guaribas, ou macacos-gritadores, com seus medonhos guinchos, pelas cigarras e pelos gafanhotos, com sua estridente e dissonante chiadeira e pelas saracuras e outras aves aquáticas, com seus pios característicos. Acrescente-se a tudo isso, o contínuo e desagradável zumbido dos mosquitos, que sempre estão por perto da gente, e ter-se-á uma ideia relativamente boa  dos nossos concertos noturnos  no Tocantins. [...]". Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 57-58.


Jaquirinambóia.
Maria Sibylla Merian - Lantern Fly with Pomegranite Flower - 1719.
From Metamorphasibus Insectorum Surinamensis.
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