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Mostrando postagens de outubro, 2021

A Anhuma e seu grito de alarme

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                 [...]. Para garantir a sobrevivência desses belos espécimes da fauna, criou a natureza uma preciosa atalaia: a "Anhuma" que desempenha este papel com grande critério. Empoleirada numa das mais altas encipoadas copas de árvore, ela descortina o horizonte e devassa o curso do rio. Quando uma canoa ou ubá se aproxima pelo último ou quando alguém sorrateiramente emerge de uma mata para negacear a caça que, descuidada, se nutre, esta guarôa, correligionária do "Curupira", solta o seu estridente grito de alarme. "Tân-gente", e, no mesmo instante, podem-se ver todos os animais, atentos, largando em fuga. Patos, marrecos, macacos, arancuans, jacutingas, veados, capivaras, antas, onças e tudo que ali vive, obedece a este sinal. Até o teimoso jacaré levanta a cabeça, pisca os olhos e deixa-se escorregar mansamente para a água, onde submerge. Quando a segurança é geral, a "Anhuma", piedosa abre as longas asas, dotadas de espor...

Uma paisagem deslumbrante

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         Fizemos excelente viagem, tendo sido atingidos apenas por dois ou três fortes aguaceiros de curta duração, como só acontece nos trópicos. A paisagem torna-se cada vez mais deslumbrante, o rio com uma infinidade de trepadeiras de coloração verde brilhante, com claro aqui e acolá, onde surge uma palmeira ou grupos de aráceas com folhas avantajadas. Por todos os lados impera a mata, soberana e virgem, como que saindo de um mundo a parte, no qual o elemento predominante é a água. No horizonte grossas nuvens ornamentam o céu, desabando curtos temporais de quando em quando. A planície é imensa e a solidão extrema. FONTE: CARVALHO, José Cândido Melo. Notas de viagem ao Rio Negro. Publicações Avulsas do Museu Nacional , Rio de Janeiro, n. 9, p. 13, 1952.   Caladium  bicolor Delaunay, M., Loiselem-Deslongchamps, J. L. A. Herbier général de l´amateur , t. 7, 1824.  www.plantillustrations. org

Um novo espetáculo para mim

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          Fiquei apreciando, por longo tempo, esse espetáculo novo para mim, quando, de repente, compridas sombras das palmeiras indaiás ( Maximiliana regia ), estenderam-se sobre os campos, fazendo-me lembrar a noite que se avizinhava e a volta para casa. Entretanto eu quis ainda ver primeiramente uma várzea para onde tinha visto voarem bandos de   frangos-d´água e patos. Beirei uma ipueira rasa e em breve estava diante de uma pequena lagoa de águas cristalinas, cercada de arundináceas de folhas largas e de possantes aruns. [...]. FONTE:   SPIX, J. B. von ; MARTIUS, C. F. von. Viagem pelo Brasil - 1817-1820 . 2. ed. São Paulo: Melhoramentos, [1961]. v. 3, p. 52.  Arum maculatum  Kops, J. Flora Batava 14. 1872. www.plantillustrations.org

As cássias e seus lindos cachos de ouro

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         À medida que avançamos, observam-se propriedades melhores. Fazendolas cercadas de cacauais e em que as casas se destacam num terreiro bem bem limpo, onde viçam cuités, mangueiras e bananeiras. Em um ou outro ponto, cabeças de gado no pastoreio. Aqui, também os currais são feitos sobre jiraus, para as longas invernadas, quando a água invade tudo e a criação precisa ser posta ao abrigo dos dilúvios periódicos. Junto de um desses mutás, algumas cássias - os maris maris da região - com lindos cachos de ouro. Igualmente floridas as mongubeiras. E floridas de tal modo que, de longe, mais se diriam mangas rubras o que pende à ponta dos seus galhos. Defronte de uma palhoça, afogada por muita palma de pupunheira, algumas mantas de pirarucu secando ao sol. [...].   FONTE: CRULS, Gastão. A Amazônia que eu vi : Óbidos-Tumucumaque. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938. p. 17. (Biblioteca Pedagógica Brasileira. Série 5a. Brasiliana, v. 118). C...