quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bromeliaceas que lembram ananases


"Algumas árvores parecem ser formadas de numerosos caules delgados justapostos. São todas sulcadas e fendidas no sentido do seu comprimento, sendo algumas estrias tão profundas que quase as atravessam inteiramente, lembrando compridas seteiras numa estreita torre. Apesar disso, essas árvores crescem tanto quanto outras de tronco retilíneo e diâmetro uniforme.
Outra curiosíssima forma é a que apresentam certas árvores cujas raízes crescem no meio dos caules e estendem seus pedúnculos até o solo. Seus troncos parecem estar apoiados sobre numerosas pernas que soem formar arcadas amplas o bastante para que se possa passar andando por debaixo delas.
Os caules de todas essas árvores, e também as trepadeiras que deles pendem ou neles se enroscam, sustentam uma infinidade de dependentes. Em toda a extensão dos caules surgem Tilandsia e outras Bromeliaceae que lembram ananases, grandes tinhorões de cor verde escura, com suas amplas folhas sagitadas, enormes variedades de pimentas, fetos latifólios, etc. Pode-se vê-los até nos galhos do topo dessas árvores. No espaço entre os troncos, vicejam fetos rastejantes e algumas espécies miúdas e delicadas, semelhantes ao nosso Hymenophyllum. Nos lugares mais escuros e úmidos, também essas plantas rasteiras são revestidas de diminutos musgos e hepaticae, de maneira que aí temos parasitas que sustentam parasitas e, sobre estas, mais parasitas!
Olhando-se para o alto, enxerga-se a escura ramaria multifoliada contrastando com o claro azul do céu, marcante característica das florestas tropicais, tantas vezes ressaltada por Humboldt. [...]". Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 30.
 
 
 
Bromelia Pseudo-Ananas. Banisteria fulgens. Detalhe.
Sydney Parkinson. Ilustrações botânicas de espécies brasileiras na expedição de James Cook - 1768- 2012.


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