segunda-feira, 18 de maio de 2015

As frutas de Belém


"Quem percorre o Brasil, de norte a sul, e vai visitando um por um dos mercados das metrópoles patrícias, ao chegar a Belém fica assombrado com a abundância de frutas. [...].
Em Belém todas as frutas da planície aclimadas e nativas, são abundantes, capazes de abastecer esquadras, de serem vendidas às toneladas.
Desde o bacuri, dádiva celeste, até aos taperebás, às tangerinas, aos uxis, aos umaris, às sapotilhas, aos ananases, às bananas, às mangas, aos abacates, aos mamões, às laranjas, aos araçás, aos abricós, às jacas, aos cupuaçus, às pupunhas, aos abius, às melancias, aos cajus, aos melões, às goiabas, aos açaís e as bacabas, os vários mercados da capital andam entulhados deles. Parece incrível que se consuma tanta fruta, pois os aparadores públicos permanecem repletos dessas joias botânicas oriundas das rocinhas da cidade e dos sítios dos arredores. Os frugívoros aqui podem viver como no Éden vivia nossa mãe Eva e nosso pai Adão. E se, como é provável, não encontrarem a maçã, é só  substituírem-na pela sapotilha, que ainda ganham na troca." Raimundo Morais (1872-1941). Alluvião. 1937, p. 161-162.
 
 
Frutas de Belém
Ilustração de Eron Teixeira (Detalhe)


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